Património

 Igreja Matriz de Santo Estêvão das Galés 


É um dos mais interessantes monumentos desta freguesia. Ainda é possível encontrar na entrada do templo um local onde os fiéis, pelo menos os homens, antes de entrarem na igreja para o serviço religioso, colocavam antigamente ali os seus barretes, dão-lhe assim o nome de:  "mesa das Carapuças"


Na torre sineira, de quatro ventanas, conserva sete sinos que constituem um pequeno carrilhão. O interior é de uma só nave. Tem coro sobre a porta principal e uma torre quadrada, mais moderna. A capela-mor é extensa e de abóbada antiga. Dão acesso ao altar dois degraus. As paredes são revestidas de azulejos Hispano-árabes bastante coloridos, no tecto e na entrada salientam-se pinturas de imagens alusivas às espécies de animais que na altura existiam por estas bandas, como raposas, perdizes, lobos e aves de rapina.

No átrio desta igreja, celebram-se todos os anos as festas das colheitas, realizadas em Setembro, uma demonstração de alegria deste povo, perante o sucesso das sementeiras, pelo ano bom, de resposta ao trabalho duro na terra. Festejos iniciados com missa, seguindo a bênção das colheitas e finalizando com o esperado e desejado leilão, disputado por todos.

São variados os artigos da terra e aparece de tudo, desde as batatas ou cebolas até aos animais como galinhas e patos. É um ambiente alegre e colorido com aqueles cheiros característicos da terra.


Por ocasião dos grandiosos festejos da chegada da Nossa Senhora da Nazaré, no ano de 2005, foram executadas grandes obras de restauro em todo este templo, um admirável trabalho de recuperação, de que todos nós nos orgulhamos.
Obra esta digna de ser visitada por todos, quer no exterior como no seu interior. Foram festejos essencialmente de natureza religiosa, mas contou igualmente com alegres bailes, muitos concertos com artistas famosos e outros espéctaculos culturais e de entretenimento como a famosa garraiada, e claro está no final contou com um enorme fogo de artifício.




                                             Túmulo Romano em Monfirre

Portugal é uma das mais antigas nações da Europa, existindo como país há mais de 8 séculos.
Sujeito às mais variadas e regulares invasões, o país recebeu uma variada sucessão de habitantes ao longo dos séculos, que ajudaram a moldar o espírito do país que hoje conhecemos.
A presença humana no território remonta ao paleolítico e ao mesolítico, dos quais se podem ainda ver inúmeros vestígios, sendo os túmulos funerários os mais abundantes.

A presença romana que durou do I ao V séculos d.C., deixou uma marca indelével na paisagem. Vestígios bem claros da sua passagem também aqui em Santo Estêvão das Galés, como podemos constatar com este túmulo encontrado na zona de Monfirre.
No restante território Nacional podemos ainda encontrar vestígios na cidade romana de Conímbriga, próxima a Coimbra, pelo majestoso aqueduto em Elvas, ou no impressionante Templo romano em Évora. Os romanos também legaram a sua língua. O português é de origem latina, contendo no entanto algumas influências árabes.


                                                
                                                    Igreja de Santa Eulália


Esta bela igreja, imponente na sua estrutura e robustez, foi mandada edificar no ano de 1466, no reinado de Dom Afonso V, 12º Rei de Portugal.
Santa Eulália é uma pequena aldeia repartida por duas freguesias, ou seja a de Santo Estêvão das Galés e a freguesia de Almargem do Bispo do Concelho de Sintra.
No centro desta aldeia e mesmo ao lado da igreja existe um cruzamento rodoviário que por ele se obtém várias direcções, ou para Loures por Ponte de Lousa, ou para Negrais, ou para Almargem do Bispo e ainda para a sede da nossa Freguesia. 
Dizem os mais antigos que, precisamente neste cruzamento ao lado desta igreja onde antes seria um largo, se realizava um grande mercado de compra e venda de louças, em dias de festa. 
 Aqui em Santa Eulália no dia de São João, dia 24 de Junho, desde que a história se lembra, todos os anos se comemoram festejos e tradições muito antigas, tradições como a famosa bênção do gado.


De manhã, pagam-se promessas em redor do Santuário, com animais vivos ou de cera, são montadas várias bancas onde se vende desde o leitão de Negrais até aos famosos bolos e pão da nossa zona. Mas é da parte da tarde, após a eucaristia e a procissão que se procede á tão esperada tradição centenária da bênção do gado e mesmo alguns destes animais são oferecidos para o leilão que é realizado logo de seguida, e ainda podemos contar com comes e bebes


Capela São João de Brito em Montemuro

Poço da Bomba em Montemuro

Fontanário de Santa Eulália

Fontanário das Quintas

Bica do Rio do Cano, Portela, Rogel


                                                    Moinhos de Vento



Na sucessão de acontecimentos que fizeram, no fundo, a história do pão, temos, portanto, a existência de toda uma série de engenhos que permitem, inclusivamente, caracterizar as etapas da evolução humana (do ponto de vista técnico, social e cultural).

O moinho de vento, por utilizar a energia eólica e sendo esta de orientação muito diversa, possui um sistema que permite rodar o capelo de forma a poder apanhar o vento, qualquer que seja a sua orientação.


Um dia de trabalho no moinho começa pela preparação do cereal seguindo-se vários passos tais como: soltar as velas abrindo o pano em função da intensidade do vento; aliviar a mó; orientar o moinho para o vento através da rotação do sarilho; assim que a orientação está correcta todo o sistema entra em movimento de rotação; com isto o moleiro enche de cereal o tegão que através da rotação faz vibrar o cadelo e que por sua vez leva os grãos a deslizar do tegão para a mó. Esta faz o seu esmagamento e em função do desenho das ranhuras das mós obriga a farinha a sair por um único espaço preparado para tal.

Muitos dos moinhos possuíam já um sistema de limpeza da farinha de modo a lhe retirar o farelo - o aviadouro.
A última fase é a ensacagem da farinha.

Em praticamente todas as linhas de alturas da Região Oeste se destacam, como elementos fazendo parte da paisagem, muitos moinhos centenários, sendo raros os que estão em estado aceitável de conservação. Efectivamente, a Revolução Industrial facilitou a adopção de processos cada vez mais eficientes para fazer quase tudo, e atirou para a obsolescência os velhos moinhos de vento, outrora símbolos do labor das gentes do Oeste.

A preservação da componente molinológica do património cultural desta região constitui certamente uma preocupação dos responsáveis dos municípios que dela fazem parte, mas não poderá também deixar de encontrar eco nas preocupações dos cidadãos anónimos que ainda valorizam, nos dias de hoje, em que tudo parece virtual e eivado de incerteza constante, as referências a símbolos de labor e tranquilidade como o são os moinhos de vento.

Uma vez despertadas as consciências de cidadãos anónimos e autarquias, a situação começa a melhorar, havendo já exemplos dispersos de recuperação com sucesso de ruínas em moinhos de vento vistosos e orgulhosos da sua traça original.

Para isso têm contribuído vários factores, dos quais destacamos a feliz coincidência de ainda existirem alguns artesãos com conhecimento da arte, o interesse das várias autarquias e de particulares, e a disponibilização de apoios financeiros, a partir dos II e III Quadros Comunitários de Apoio, para a recuperação física de moinhos e dos respectivos espaços envolventes.

                               
                                                           Pão Saloio

É por aqui que podemos desfrutar do bom pão saloio, ainda trabalhado à maneira antiga, sendo pois cozido a lenha, uma raridade sem dúvida nos nossos dias. Esta preciosidade deve-se ao desempenho de um casal, a Mimi e o Porfírio, que ali fazem o pão todas as terças feiras e sábados, é um pão leve e muito gostoso, é o " Pão da Mimi ".
Quem os visita fica surpreendido pelos métodos tradicionais, desde a moagem do cereal até à entrada das bolas brancas naquele belo forno quente.


O segredo deste bom pão? - está no trabalho, responde-me o padeiro Porfírio, sorrindo. Com a sua sabedoria controla as devidas quantidades a misturar, de farinha e água, dando volume à massa, a qual irá repousar durante duas horas numa tendeira para levedar.




( nesta imagem vemos a Mimi dando o toque final numa bola de massa, antes de entrar no forno )
Mimi prepara a balança, repartindo de igual peso cada bola de massa, que tira da tendeira. Igualmente prepara os tabuleiros, cobertos por um pano branco, repleto de farinha para um melhor manuseio.
Entretanto o forno tem estado a ser controlado por Porfírio, tem de estar a uma temperatura ideal, olhando lá para dentro, e vendo que toda a abóbada que forra o interior está completamente branca, avisa de que é o momento certo da entrada das bolas brancas, é um trabalho conjunto e Mimi ainda dá às bolas um preparo final.


   
                                             
Lavadouros Públicos
Sem saneamento básico, a roupa era lavada nos tanques públicos em pedra.

A roupa suja era carregada em trouxas até ao lavadouro público local, uma tarefa dura e ingrata, onde era ensaboada com sabão azul e branco e esfregada na pedra áspera de granito a torcer.

Neles juntam-se ainda hoje várias mulheres da comunidade em ambiente de conversa e convívio, onde antigamente se cantava e se inteiravam dos boatos e mexericos.
Existiam ainda as lavadeiras profissionais onde aí lavavam as roupas das clientes.
Antes destes lavadouros nas zonas mais rurais a roupa era lavada nos rios, ribeiras e riachos.

                                             Lavadouro público das Galés


Lavadouro público do Rio do Cano, Portela do Rogel

                                      

                                  Lavadouro público de Santo Estêvão das Galés


Minas de água
A água saindo de dentro da terra vai, aos poucos, cavando um buraco à sua volta. Como se fosse uma bacia. Nessa bacia se acumula a água pura, cristalina, transparente, fresca.
Olhando lá no fundo e gente vê o lugar exato onde a água sai de dentro da terra. Coisa parecida com uma erupção vulcânica: erupção de água.
E nesse lugar onde a água jorra, as areinhas são jogadas para cima. À volta da mina tudo é vida, tudo é verde. Terra e água fazem vida. Crescem as avencas, crescem plantas de todos os tipos.
E se a gente está com sede, é só fazer as mãos em concha, mergulhar na água da mina, pegar a água e beber.
É impossível beber água numa mina sem ter pensamentos de gratidão por haver na natureza coisa tão bela.



                                                Mina do Rogel, data de 1964

Bica de São Pedro, Rogel


Fonte e Bebedouro do Rogel

                                                Fonte do Coxo em Monfirre

                                                     
                                                             Queijo Saloio

A região saloia é conhecida pelos seus queijos frescos e curados.  
Empresas a operar numa base familiar com uma larga experiência na arte e tradição de bem fazer queijos frescos, queijos curados e requeijão.
Os seus produtos são fabricados a partir de leite de animais da espécie bovina controlados sanitariamente com garantias de isenção de doenças transmissíveis ao homem.




O Çaloio ( saloio ) o amigo do campo
O seu verdadeiro significado prende-se com um habitante do campo aquele que leva os legumes, frutas e pão à cidade de Lisboa.

Há quem diga de que o saloio tem origem nas comunidades mouras que após a reconquista Cristã no ano de 1147, pelo Rei D. Afonso Henriques, saíram da cidade de Lisboa para as zonas rurais como as de Loures, Mafra, Amadora, Odivelas, Sobral de Monte Agraço, Alenquer, Torres Vedras, Cadaval, Arruda dos Vinhos e ainda em Sintra, dedicando-se assim diretamente com a terra e o que dela tiravam e ainda ao pequeno comércio.

O saloio é um Homem rústico, aldeão e manhoso, pois nem os ciganos lhes tiravam o negócio, vivendo sobretudo do que cultiva e tira das grandes hortas, pomares e ainda dos seus animais que cuidavam com grande apreço.

Portanto este homem é um grande comerciante de animais e produtos agrícolas em grandes mercados como o da Feira da Malveira, todas as quintas feiras, mas também um grande abastecedor da grande Lisboa com todos os seus produtos, como podemos constatar com os bons queijos saloios.

Embora hoje a religião dos saloios não seja muita , sobretudo em algumas regiões, continua a demonstrar grande entusiasmo, pontualidade na observância dos preceitos da igreja, o que não obstava a que logo ao saírem da confissão ou da missa desancassem com pancadas um vizinho e entrassem na taverna para se embebedarem.

Os saloios costumavam usar parreiras à porta de casa, e um pátio diante desta donde se via a pocilga do porco e a loja do gado. Quem entrava na sua casa encontrava cinco compartimentos no rés do chão, lajeado, aí está a cozinha com seu forno, a salgadeira, aí comem.

Algumas destas casas podia existir um primeiro andar onde seriam os quartos de dormir.

A sua alimentação era na base de enormes fatias de pão de milho ou cevada.

Aos 4 anos de idade ia guardar gado para o monte, aos 8 frequentava esporadicamente durante somente três anos a escola, para aprender a escrever mal o seu nome. Aos 12 anos larga a escola, e os rebanhos, e começa a cavar, e em breve a empunhar a rabiça do arado.


Algumas observações mais ou menos avulsas:

Saloio, baixo, grosso, atarracado, cabeça e cara volumosas, sem bigode nem môsca, nem pêra, só longas suíças estreitas em cima e largas em baixo, barrete preto com ponta caída para o lado esquerdo dele e um pouco para trás. Camisa branca, jaqueta de fazenda com três botões, ou mais, desabotoada, colete aberto, calças escuras. A saloia usa pente de tartaruga de grandes dimensões, lenço de cambraia na cabeça e ao pescoço um de chita, “roupinhas” que lhe formam a cintura no meio do peito, saia encarnada de baeta, algo curta, sapatos de cordovão em dias de festa, de cabedal nos dias de semana

O saloio não casa, arranja-se

À cabeceira do moribundo os saloios antigamente punham pão de trigo e vinho

Namora-se quando a ocasião se oferece



Comida de que os Çaloios devoram